Ceará teve 4 das 5 cidades com maiores índices de homicídios no Brasil em 2024, aponta estudo
26/05/2026
(Foto: Reprodução) Ceará teve 4 das 5 cidades com maiores índices de homicídios no Brasil em 2024
A cidade de Maranguape teve a maior taxa de homicídios entre as cidades com mais de 100 mil habitantes do Brasil em 2024, segundo dados do Atlas da Violência 2026, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O estudo foi divulgado nesta terça-feira (26).
Outras cidades do Ceará aparecem entre as que tiveram as maiores taxas do país no estudo: Maracanaú, Itapipoca e Caucaia. Com isso, o estado teve quatro cidades entre as cinco com maiores índices de homicídios no Brasil em 2024 (confira abaixo).
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A taxa mais alta do país ficou com Maranguape, que registrou índice de 87,2 homicídios por 100 mil habitantes. As outras cidades cearenses aparecem na terceira, quarta e quinta posição do ranking.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) respondeu, em nota, que "são referentes ao ano de 2024 os dados divulgados no Atlas da Violência, publicação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP)" (confira a nota na íntegra ao fim do texto).
"É importante destacar que com os investimentos realizados pelo Governo do Ceará e a intensificação das ações policiais, em 2026, os municípios cearenses mencionados no estudo apresentaram diminuição nos índices de mortes por crimes violentos, de crimes contra o patrimônio, além de apresentar aumento nas apreensões de armas de fogo e prisões", justificou a Secretaria.
No total, foram listados 336 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes no Atlas da Violência. Dentre elas, as maiores taxas de homicídios estimados foram registradas em:
Maranguape (CE): 87,2
Jequié (BA): 79,4
Maracanaú (CE): 74,1
Itapipoca (CE): 74
Caucaia (CE): 72,9
Da lista acima, Maranguape é o município com a menor população, com 108 mil habitantes. A cidade também apareceu como a mais violenta do Brasil no Anuário Brasileiro de Segurança 2025, divulgado em julho de 2025.
No Atlas da Violência, Maranguape teve 39 homicídios registrados em 2024, somados a 56 homicídios ocultos. No total, o relatório aponta um total de 95 homicídios estimados na cidade.
A SSPDS rebateu que, em Maranguape, em 2026, a diminuição dos Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs) foi de 95,8%, com um (01) CVLI registrado, em comparação com os 24 CVLIs ocorridos entre janeiro e abril do ano passado.
🔍 A classificação dos homicídios ocultos faz parte da metodologia do Atlas. O relatório afirma que a análise dos homicídios registrados no Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, fica prejudicada quando uma parcela das mortes violentas não tem a intencionalidade identificada. Esses casos são classificados como mortes violentas por causa indeterminada.
Para contornar esse problema, os pesquisadores usam uma metodologia baseada em aprendizado de máquina para estimar quantas dessas mortes podem, na verdade, ter sido homicídios. Esses casos são classificados no relatório como homicídios ocultos.
➡️ Com essa metodologia, o Brasil teria registrado 49.673 homicídios estimados em 2024. O número absoluto de mortes no país foi de 42.590 homicídios registrados, o equivalente a 20,1 assassinatos a cada 100 mil habitantes. Com isso, o Brasil teve a menor taxa de homicídios em 11 anos.
Ceará é o quinto mais violento
Infográfico para HOME - Mapa mostra taxa de homicídios no Brasil em 2024 por estados
arte/g1
Com quatro cidades entre as cinco de maior letalidade, o Ceará tem a quinta maior taxa de mortes violentas entre as 27 unidades da federação. Em 2024, o estado registrou 34,3 mortes a cada 100 mil habitantes.
O Ceará ficou entre as 18 unidades da federação com taxas de homicídios acima da média nacional, de 20,1 mortes por 100 mil habitantes.
Confira o ranking dos estados com maiores taxas:
Amapá: 45,7
Bahia: 40,9
Pernambuco: 37,3
Alagoas: 35,9
Ceará: 34,3
Na comparação da taxa de homicídios de 2023 e 2024, o Ceará teve um crescimento relevante, com 5,2% de mortes a mais em relação ao ano anterior. Outro estado destacado no Atlas com crescimento na taxa de homicídios foi o Maranhão, com alta de 7,6%.
A SSPDS destacou que, "considerando os CVLIs do quadrimestre em todo o Ceará deste ano, foram 346 crimes a menos, em comparação com o primeiro quadrimestre de 2025. Nos quatro primeiros meses de 2026, aconteceram 585 mortes violentas, contra 931 ocorrências no mesmo período do ano passado, uma redução de 37,2%".
Ceará teve quatro das cinco cidades com maiores índices de homicídios no Brasil em 2024, aponta Atlas da Violência
Polícia Militar do Ceará/Divulgação
Confira a nota da SSPDS na íntegra:
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) frisa que são referentes ao ano de 2024 os dados divulgados no Atlas da Violência, publicação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). É importante destacar que com os investimentos realizados pelo Governo do Ceará e a intensificação das ações policiais, em 2026, os municípios cearenses mencionados no estudo apresentaram diminuição nos índices de mortes por crimes violentos, de crimes contra o patrimônio, além de apresentar aumento nas apreensões de armas de fogo e prisões.
Considerando esses municípios, em Maranguape, a diminuição dos Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs), no primeiro quadrimestre de 2026 foi de 95,8%, com um (01) CVLI registrado, em comparação com os 24 CVLIs ocorridos entre janeiro e abril do ano passado. Em Maracanaú, a redução de janeiro a abril de 2026 foi de 90,4%, com cinco mortes violentas, contra 52 no mesmo período do ano anterior. Em Caucaia, a redução no mesmo período foi de 39,1%, com 42 mortes por crimes violentos registradas, frente a 69 casos no mesmo período de 2025. Já em Itapipoca, no Interior Norte, a redução nos primeiros quatro meses de 2026 foi de 16,7%, com dez CVLIs registrados, contra 12 casos no mesmo período de 2025.
Considerando os CVLIs do quadrimestre em todo o Ceará deste ano, foram 346 crimes a menos, em comparação com o primeiro quadrimestre de 2025. Nos quatro primeiros meses de 2026, aconteceram 585 mortes violentas, contra 931 ocorrências no mesmo período do ano passado, uma redução de 37,2%. O resultado positivo se estende também à Capital, Região Metropolitana e Interior. Em Fortaleza, a redução ficou em 60,8%, com 104 registros nos quatro primeiros meses deste ano, contra 265 no mesmo período do ano passado. Na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), a redução dos casos ficou em 60,6%, com 99 ocorrências de janeiro a abril deste ano, contra 251 casos nos quatro primeiros meses de 2025. Com 33 casos a menos, o Interior registrou uma retração de 8% no mesmo período, contabilizando 382 casos, quando comparado com o quadrimestre do ano passado, que ocorreram 415 casos. Os dados estão disponíveis no Painel Dinâmico da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp), em https://www.supesp.ce.gov.br/painel_dinamico/.
Apreensão de armas
O trabalho diário dos agentes de Segurança Pública do Ceará, durante todo o ano de 2025, resultou na apreensão de 811 armas de fogo nos quatro municípios mencionados. Em Caucaia, foram 346. Em Maracanaú, 245 armas foram retiradas de circulação. Já em Maranguape e Itapipoca, foram 133 e 86, respectivamente. Já no que concerne ao primeiro quadrimestre deste ano, as Forças de Segurança já retiraram de circulação 155 armas de fogo durante ações nos municípios de Caucaia, Maranguape, Maracanaú e Itapipoca. As apreensões de armas de fogo impactam diretamente na diminuição dos CVLIs. Em todo o estado do Ceará, em 2025, 7.221 armas de fogo foram apreendidas. Esse foi o melhor resultado de toda a série histórica em quantidade de armas de fogo apreendidas no Ceará. A Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), onde ficam localizados os municípios de Maranguape, Maracanaú e Caucaia, foi o território com maior aumento de apreensões, com crescimento de 18,2%, 1.592 armas foram tiradas de circulação.
Prisões
As prisões em flagrante e por cumprimento de mandados de prisão efetuadas pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) e pela Polícia Militar do Ceará (PMCE) por participação em Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs) também tiveram aumento no ano de 2025, nesses municípios. Em Caucaia, foram 135 capturas de suspeitos de envolvimento com homicídios contra 100 no mesmo período de 2024, um aumento de 35%. Em Maracanaú, foram realizadas 75 prisões contra 43 durante os 12 meses de 2024, um aumento de 74,4%. Em Maranguape, o aumento foi de 41,7% nas capturas, foram realizadas 51 capturas de suspeitos de participação em CVLIs em 2025, contra 36 em todo o ano de 2024. Já em Itapipoca, houve um aumento de 75% nas prisões, quando 28 pessoas foram capturadas contra 15 em 2024.
Investimentos
Entre as ações do Governo do Ceará para a redução do indicador de CVLIs, que compreende homicídios, latrocínios, feminicídios e lesões corporais seguidas de morte, com foco na Região Metropolitana de Fortaleza, em dezembro do ano passado, foi inaugurado o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da RMF. O equipamento conta com quatro delegacias para investigar os CVLIs nos municípios de Caucaia – onde está sediada a unidade, Maranguape, Maracanaú e Pacatuba. A inauguração do DHPP na RMF foi uma das medidas adotadas pelo Governo do Ceará para combater os crimes na região.
No interior do estado como um todo, a pasta ressalta que 80 municípios do Ceará possuem bases do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio) da PMCE. A interiorização do videomonitoramento conta com 6.068 câmeras em funcionamento. Já a Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer) da SSPDS/CE conta com cinco bases distribuídas de maneira estratégica em todo o Ceará, elas estão em: Fortaleza, Sobral, Juazeiro do Norte, Crateús e Quixadá.
É importante destacar que esses resultados positivos são fruto da dedicação e do trabalho integrado dos profissionais das Forças de Segurança do Ceará, que atuam unindo ostensividade, investigação e inteligência, além dos investimentos do Governo do Ceará em concursos públicos, aquisição de armas, viaturas e outros equipamentos e iniciativas que fortalecem o trabalho de combate à criminalidade. Uma dessas iniciativas é o Programa de Cumprimento de Mandados de Prisão (Procumpri), desenvolvido pelo Governo do Ceará, por meio da SSPDS. O programa, que funcionou em caráter experimental ao longo de 2025, foi regulamentado no em 29 de dezembro de 2025, por meio de decreto assinado pelo governador do Ceará, Elmano de Freitas, e pelo secretário da SSPDS, Roberto Sá.
O Procumpri é voltado à realização de ações estratégicas para o cumprimento de diligências em endereços de foragidos da Justiça, com foco na redução dos índices de criminalidade, especialmente dos Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLI), além do enfrentamento aos grupos criminosos e à violência contra mulheres e outros grupos vulneráveis. Por meio do programa, entre janeiro e dezembro de 2025, as Forças de Segurança do Ceará realizaram 1.935 capturas de pessoas com mandado de prisão em aberto.
Outras Estratégias
A SSPDS ressalta ainda o Sistema de Metas Integradas de Segurança Pública (Misp), iniciativa do programa Ceará Contra o Crime que consiste em estabelecer metas, conforme os estudos dos indicadores da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp), para a redução da criminalidade com base científica em manchas criminais. Além disso, é importante reforçar a reestruturação das Forças de Segurança do Ceará ocorrida em março de 2025.
As mudanças tiveram o objetivo de modernizar as instituições. Para isso, foram criados: quatro comandos operacionais, nove batalhões e 19 companhias para a Polícia Militar do Ceará (PMCE); o Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) e o Departamento de Repressão aos Crimes contra o Patrimônio (Depatri), duas Delegacias de Repressão contra o Crime Organizado (Draco) nas regiões Norte e Sul, além de 20 novas seccionais e 30 setores de inteligência para a PCCE; três Coordenadorias de Perícia Regionalizadas, dez células de gestão dos núcleos do Interior, 23 novos núcleos de Perícia e quatro coordenadorias na sede: inteligência, custódia, vestígios forenses e segurança da informação e desenvolvimento institucional para a Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce). A Supesp e a Academia Estadual de Segurança Pública (Aesp) também foram beneficiadas com a reestruturação.
Por fim, a SSPDS reforça ainda que entre 2023 e 2026, mais de 5 mil novos profissionais foram nomeados, reforçando as ações desenvolvidas também nos municípios do interior.
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